MASTOLOGIA
Câncer de Mama
Informação e diagnóstico precoce salvam vidas
O câncer de mama é o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres em todo o mundo, excluindo os tumores de pele não melanoma. Embora a doença também possa acometer homens, cerca de 99% dos casos ocorrem em mulheres. Quando identificado precocemente, o câncer de mama apresenta elevadas taxas de cura, reforçando a importância do acompanhamento médico regular e da realização dos exames recomendados.
O que é o câncer de mama
O câncer de mama é uma doença caracterizada pelo crescimento desordenado de células da mama, que passam a se multiplicar de forma anormal e descontrolada, formando um tumor.
A doença pode se desenvolver em diferentes estruturas da mama, como os ductos mamários (canais que transportam o leite) ou os lóbulos (glândulas produtoras de leite). Dependendo das características das células tumorais, o câncer pode apresentar comportamentos distintos, variando desde formas menos agressivas até tumores com maior potencial de disseminação.
Segundo estimativas do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama permanece como o câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras.
Sintomas
Nem todo câncer de mama provoca sintomas nas fases iniciais. Por isso, a mamografia é fundamental para a detecção precoce. Os sinais mais comuns, entretanto, são:
- Nódulo ou caroço na mama, geralmente indolor;
- Alterações no formato ou tamanho da mama;
- Retração da pele da mama, com aspecto semelhante à casca de laranja;
- Vermelhidão persistente da pele;
- Alterações no mamilo, como retração ou inversão;
- Saída espontânea de secreção pelo mamilo, especialmente sanguinolenta;
- Nódulos na axila;
- Inchaço em parte ou em toda a mama;
- Dor mamária persistente em situações específicas.
A presença de qualquer alteração deve ser avaliada por um mastologista.
Diagnóstico do câncer de mama
O diagnóstico do câncer de mama envolve avaliação clínica e exames de imagem. Os principais métodos diagnósticos incluem:
- Exame físico das mamas;
- Mamografia;
- Ultrassonografia mamária;
- Ressonância magnética das mamas;
- Tomossíntese mamária, quando indicada;
- Biópsia da lesão suspeita.
A confirmação do diagnóstico é feita por meio da análise anatomopatológica do tecido coletado na biópsia. Após a confirmação, podem ser solicitados exames adicionais para determinar a extensão da doença e orientar o tratamento.
Fatores de risco
O câncer de mama é uma doença multifatorial, ou seja, diversos fatores podem contribuir para seu desenvolvimento. Entre os principais fatores de risco estão:
- Idade acima dos 50 anos;
- Histórico familiar de câncer de mama ou ovário;
- Mutações genéticas hereditárias, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2;
- Menstruação precoce;
- Menopausa tardia;
- Primeira gestação após os 30 anos ou ausência de gravidez;
- Obesidade, principalmente após a menopausa;
- Sedentarismo;
- Consumo excessivo de bebidas alcoólicas;
- Exposição prolongada a hormônios femininos;
- Histórico pessoal de câncer de mama.
Vale destacar que muitas mulheres diagnosticadas não apresentam fatores de risco conhecidos.
Principais tipos de câncer de mama
Existem diversos tipos de câncer de mama. Os mais frequentes são:
Carcinoma Ductal In Situ (CDIS) - É uma lesão não invasiva, considerada um estágio inicial da doença. As células anormais permanecem restritas aos ductos mamários e apresentam excelentes taxas de cura.
Carcinoma Ductal Invasivo - É o tipo mais comum, representando aproximadamente 70% a 80% dos casos. O tumor se origina nos ductos e invade os tecidos adjacentes.
Carcinoma Lobular Invasivo - Surge nos lóbulos mamários e pode apresentar crescimento mais discreto, dificultando a identificação em alguns exames.
Câncer de Mama Triplo-Negativo - Caracteriza-se pela ausência dos receptores hormonais de estrogênio e progesterona e da proteína HER2. Costuma exigir estratégias terapêuticas específicas.
Câncer de Mama HER2-Positivo - Apresenta superexpressão da proteína HER2 e atualmente conta com terapias-alvo altamente eficazes.
Câncer de Mama Inflamatório - É um tipo raro e mais agressivo, frequentemente associado à vermelhidão, edema e aumento do volume mamário.
Tratamento
O tratamento é individualizado e depende do tipo do tumor, estágio da doença, características biológicas e condições gerais da paciente. As principais modalidades terapêuticas são:
- Cirurgia conservadora (quadrantectomia);
- Mastectomia;
- Reconstrução mamária;
- Biópsia do linfonodo sentinela;
- Esvaziamento axilar, quando necessário;
- Radioterapia;
- Quimioterapia;
- Hormonioterapia;
- Terapias-alvo;
- Imunoterapia em casos selecionados.
O tratamento costuma ser conduzido por uma equipe multidisciplinar formada por mastologista, oncologista clínico, radioterapeuta, patologista e outros especialistas.
Prevenção
Embora não seja possível evitar todos os casos de câncer de mama, algumas medidas ajudam a reduzir o risco da doença:
- Manter peso adequado;
- Praticar atividade física regularmente;
- Evitar o consumo excessivo de álcool;
- Não fumar;
- Adotar uma alimentação equilibrada;
- Realizar acompanhamento médico periódico;
- Seguir as recomendações de rastreamento mamográfico.
Mulheres com histórico familiar importante podem necessitar de acompanhamento especializado e avaliação genética.
Chances de cura
As chances de cura do câncer de mama dependem principalmente do estágio em que a doença é diagnosticada.
Quando identificado precocemente, antes de se espalhar para outros órgãos, os índices de sobrevida e controle da doença podem ultrapassar 90%. Por esse motivo, a realização de exames preventivos e o diagnóstico precoce continuam sendo as estratégias mais eficazes para reduzir a mortalidade causada pela doença.
Os avanços da medicina, incluindo terapias-alvo, imunoterapia e técnicas cirúrgicas modernas, têm contribuído significativamente para melhorar os resultados do tratamento e a qualidade de vida das pacientes.
Quanto mais cedo o câncer de mama é diagnosticado, maiores são as chances de cura e menores os impactos do tratamento na qualidade de vida da paciente.
Quanto mais cedo o câncer de mama é diagnosticado, maiores são as chances de cura e menores os impactos do tratamento na qualidade de vida da paciente.
MASTOLOGIA
BI-RADS
Entenda a classificação dos exames de mama
Ao receber o resultado de uma mamografia, ultrassonografia ou ressonância magnética das mamas, muitas mulheres se deparam com um termo que costuma gerar dúvidas: BI-RADS. Essa classificação não é um diagnóstico de câncer, mas uma ferramenta utilizada pelos radiologistas para indicar a probabilidade de uma alteração ser benigna ou maligna e orientar a conduta mais adequada para cada caso. Compreender o significado do BI-RADS ajuda a reduzir a ansiedade e facilita a tomada de decisões junto ao mastologista.
O que é o BI-RADS
BI-RADS é a sigla para Breast Imaging Reporting and Data System (Sistema de Padronização de Laudos de Imagem da Mama), criado para uniformizar a interpretação dos exames mamários.
O sistema classifica os achados em categorias numéricas que indicam o grau de suspeita de malignidade e orientam o acompanhamento ou a necessidade de investigação adicional.
O BI-RADS pode ser utilizado em:
- Mamografia;
- Ultrassonografia mamária;
- Ressonância magnética das mamas.
Categorias do BI-RADS
BI-RADS 0 – Avaliação inconclusiva
Significa que o exame não forneceu informações suficientes para uma conclusão definitiva. Nesses casos, geralmente são necessários exames complementares ou imagens adicionais.
Conduta: realizar os exames solicitados para esclarecer o achado.
BI-RADS 1 – Exame normal
Não foram identificadas alterações mamárias. Risco de câncer: extremamente baixo.
Conduta: seguir o rastreamento de rotina recomendado pelo médico.
BI-RADS 2 – Achados benignos
Foram identificadas alterações comprovadamente benignas, como:
- Cistos simples;
- Linfonodos intramamários benignos;
- Calcificações benignas;
- Alterações pós-cirúrgicas típicas.
Risco de câncer: praticamente inexistente.
Conduta: manter o acompanhamento habitual.
BI-RADS 3 – Provavelmente benigno
Existem alterações com características altamente sugestivas de benignidade. O risco de câncer é inferior a 2%.
Conduta: acompanhamento por imagem em curto prazo, geralmente em seis meses, para confirmar a estabilidade da lesão.
Na maioria dos casos, essas alterações permanecem estáveis e são posteriormente reclassificadas como benignas.
BI-RADS 4 – Achado suspeito
Esta é uma das categorias que mais geram dúvidas entre as pacientes. O BI-RADS 4 indica que existe uma alteração suspeita que não apresenta características típicas de benignidade nem sinais suficientemente claros para ser considerada câncer com alta probabilidade.
Por isso, costuma ser necessária uma biópsia para esclarecer o diagnóstico.
A categoria é dividida em três subgrupos:
BI-RADS 4A - Baixa suspeita de malignidade. Probabilidade estimada de câncer: aproximadamente 2% a 10%.
BI-RADS 4B - Suspeita intermediária. Probabilidade estimada de câncer: aproximadamente 10% a 50%.
BI-RADS 4C - Alta suspeita de malignidade, mas ainda sem características definitivas de câncer. Probabilidade estimada de câncer: aproximadamente 50% a 95%.
O que fazer diante de um BI-RADS 4 - É importante lembrar que BI-RADS 4 não significa necessariamente câncer. Muitas lesões classificadas nessa categoria acabam sendo benignas após a biópsia. No entanto, a investigação não deve ser adiada.
Conduta recomendada:
- Consulta com mastologista;
- Avaliação do histórico clínico;
- Realização de biópsia da lesão;
- Definição do tratamento ou acompanhamento conforme o resultado.
A biópsia é a única forma de determinar com segurança a natureza da alteração encontrada.
BI-RADS 5 – Alta suspeita de malignidade
A lesão apresenta características muito sugestivas de câncer. Probabilidade de malignidade: superior a 95%.
Conduta: realização de biópsia e planejamento terapêutico o mais rapidamente possível.
Apesar da elevada suspeita, o diagnóstico definitivo continua dependendo da análise do material coletado.
BI-RADS 6 – Câncer já confirmado
Categoria utilizada quando existe diagnóstico de câncer comprovado por biópsia e os exames de imagem são realizados para planejamento terapêutico ou acompanhamento.
Investigação após um BI-RADS alterado
Quando uma alteração exige investigação complementar, podemos solicitar:
- Ultrassonografia mamária;
- Mamografia complementar;
- Ressonância magnética;
- Biópsia por agulha;
- Core biopsy;
- Mamotomia;
- Exames adicionais para planejamento terapêutico.
A confirmação do diagnóstico ocorre apenas por meio da análise anatomopatológica da biópsia.
Por que o BI-RADS é tão importante?
A padronização dos laudos permite uma comunicação mais clara entre radiologistas, mastologistas e pacientes.
Além disso, ajuda a evitar procedimentos desnecessários em lesões benignas e garante investigação rápida quando existe suspeita de malignidade.
Graças ao BI-RADS, milhares de casos de câncer de mama são identificados precocemente todos os anos, aumentando significativamente as chances de tratamento e cura.
Qual a diferença entre BI-RADS e estadiamento?
Essa é uma dúvida muito comum. O BI-RADS é uma classificação de imagem que estima o grau de suspeita de uma lesão encontrada nos exames. Já o estadiamento é realizado somente após a confirmação do câncer e serve para determinar:
- O tamanho do tumor;
- O comprometimento dos linfonodos;
- A presença ou ausência de metástases;
- A extensão da doença no organismo.
Em outras palavras: BI-RADS avalia a suspeita. Estadiamento avalia a extensão de um câncer já diagnosticado.
Receber um resultado BI-RADS 4 não significa ter câncer de mama, mas indica que a lesão precisa ser investigada por meio de biópsia para que o diagnóstico seja definido com segurança.
Receber um resultado BI-RADS 4 não significa ter câncer de mama,
mas indica que a lesão precisa ser investigada por meio de biópsia
para que o diagnóstico seja definido com segurança.
