GINECOLOGIA oncológica

Câncer de Ovário

O câncer de ovário é considerado um dos tumores ginecológicos mais desafiadores, principalmente porque seus sintomas costumam ser discretos e facilmente confundidos com problemas digestivos ou alterações comuns do organismo. Embora seja menos frequente do que o câncer de mama e o câncer de colo do útero, ele apresenta maior mortalidade quando diagnosticado em fases avançadas. Por isso, conhecer seus sinais de alerta e fatores de risco é fundamental para buscar avaliação médica precocemente e aumentar as chances de sucesso no tratamento.


O que é câncer de ovário

O câncer de ovário é uma doença caracterizada pelo crescimento descontrolado de células anormais em um ou ambos os ovários. Essas estruturas fazem parte do sistema reprodutor feminino e são responsáveis pela produção dos óvulos e de hormônios como estrogênio e progesterona.

Existem diferentes tipos de câncer de ovário, sendo o mais comum o câncer epitelial, que se origina na camada externa do órgão. Em alguns casos, o tumor pode se desenvolver a partir de células germinativas ou do estroma ovariano. Quando não diagnosticado precocemente, o câncer pode se espalhar para outros órgãos da pelve e do abdome.


Sintomas

Nos estágios iniciais, o câncer de ovário pode não causar sintomas ou provocar manifestações muito inespecíficas. À medida que a doença evolui, podem surgir:

  • Inchaço abdominal persistente;
  • Sensação frequente de estômago estufado;
  • Dor ou desconforto pélvico;
  • Dor abdominal persistente;
  • Saciedade precoce (sensação de estar satisfeita após ingerir pouca comida);
  • Alterações intestinais, como constipação;
  • Aumento da frequência urinária ou urgência para urinar;
  • Cansaço excessivo;
  • Perda de peso sem causa aparente;
  • Alterações menstruais em algumas pacientes.

A persistência desses sintomas por várias semanas merece investigação médica.


Fatores de risco

  • Idade acima dos 50 anos;
  • Menopausa;
  • Histórico familiar de câncer de ovário, mama, trompas ou peritônio;
  • Presença de mutações genéticas hereditárias, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2;
  • Síndrome de Lynch;
  • Não ter engravidado ou primeira gestação tardia;
  • Endometriose;
  • Obesidade;
  • Uso prolongado de terapia hormonal pós-menopausa em situações específicas.

É importante destacar que muitas mulheres diagnosticadas com câncer de ovário não apresentam fatores de risco conhecidos.


Diagnóstico

O diagnóstico do câncer de ovário geralmente envolve a combinação de avaliação clínica, exames laboratoriais e exames de imagem.

Os principais métodos incluem:

  • Exame ginecológico;
  • Ultrassonografia transvaginal;
  • Tomografia computadorizada ou ressonância magnética;
  • Dosagem de marcadores tumorais, como o CA-125;
  • Testes genéticos quando há suspeita de síndrome hereditária;
  • Cirurgia e análise anatomopatológica, que confirmam o diagnóstico.

Como não existe um exame de rastreamento universalmente recomendado para mulheres sem fatores de risco, a atenção aos sintomas é essencial.


Tratamento

O tratamento depende do tipo do tumor, do estágio da doença e das características individuais da paciente. As principais opções terapêuticas são:

  • Cirurgia para remoção do tumor e avaliação da extensão da doença;
  • Quimioterapia;
  • Terapias-alvo, especialmente para pacientes com alterações genéticas específicas;
  • Tratamentos de manutenção para reduzir o risco de recorrência;
  • Participação em protocolos clínicos, quando indicado.

Na maioria dos casos, a combinação entre cirurgia e quimioterapia constitui a base do tratamento.


Prevenção

Não existe uma forma garantida de prevenir o câncer de ovário, mas algumas medidas podem contribuir para a redução do risco:

  • Realizar acompanhamento ginecológico regular;
  • Conhecer o histórico familiar de câncer;
  • Considerar aconselhamento genético quando houver casos familiares relevantes;
  • Manter peso adequado;
  • Adotar hábitos de vida saudáveis;
  • Buscar avaliação médica diante de sintomas persistentes.

Para mulheres portadoras de mutações genéticas de alto risco, podem ser discutidas estratégias preventivas específicas individualizadas.


O câncer de ovário é conhecido como um tumor silencioso, mas o reconhecimento precoce de sintomas persistentes e a atenção aos fatores de risco podem fazer toda a diferença no diagnóstico e no tratamento.

O câncer de ovário é conhecido como um tumor silencioso, mas o reconhecimento precoce de sintomas persistentes e a atenção aos fatores de risco podem fazer toda a diferença no diagnóstico e no tratamento.