MASTOLOGIA
BI-RADS
Entenda a classificação dos exames de mama
Ao receber o resultado de uma mamografia, ultrassonografia ou ressonância magnética das mamas, muitas mulheres se deparam com um termo que costuma gerar dúvidas: BI-RADS. Essa classificação não é um diagnóstico de câncer, mas uma ferramenta utilizada pelos radiologistas para indicar a probabilidade de uma alteração ser benigna ou maligna e orientar a conduta mais adequada para cada caso. Compreender o significado do BI-RADS ajuda a reduzir a ansiedade e facilita a tomada de decisões junto ao mastologista.
O que é o BI-RADS
BI-RADS é a sigla para Breast Imaging Reporting and Data System (Sistema de Padronização de Laudos de Imagem da Mama), criado para uniformizar a interpretação dos exames mamários.
O sistema classifica os achados em categorias numéricas que indicam o grau de suspeita de malignidade e orientam o acompanhamento ou a necessidade de investigação adicional.
O BI-RADS pode ser utilizado em:
- Mamografia;
- Ultrassonografia mamária;
- Ressonância magnética das mamas.
Categorias do BI-RADS
BI-RADS 0 – Avaliação inconclusiva
Significa que o exame não forneceu informações suficientes para uma conclusão definitiva. Nesses casos, geralmente são necessários exames complementares ou imagens adicionais.
Conduta: realizar os exames solicitados para esclarecer o achado.
BI-RADS 1 – Exame normal
Não foram identificadas alterações mamárias. Risco de câncer: extremamente baixo.
Conduta: seguir o rastreamento de rotina recomendado pelo médico.
BI-RADS 2 – Achados benignos
Foram identificadas alterações comprovadamente benignas, como:
- Cistos simples;
- Linfonodos intramamários benignos;
- Calcificações benignas;
- Alterações pós-cirúrgicas típicas.
Risco de câncer: praticamente inexistente.
Conduta: manter o acompanhamento habitual.
BI-RADS 3 – Provavelmente benigno
Existem alterações com características altamente sugestivas de benignidade. O risco de câncer é inferior a 2%.
Conduta: acompanhamento por imagem em curto prazo, geralmente em seis meses, para confirmar a estabilidade da lesão.
Na maioria dos casos, essas alterações permanecem estáveis e são posteriormente reclassificadas como benignas.
BI-RADS 4 – Achado suspeito
Esta é uma das categorias que mais geram dúvidas entre as pacientes. O BI-RADS 4 indica que existe uma alteração suspeita que não apresenta características típicas de benignidade nem sinais suficientemente claros para ser considerada câncer com alta probabilidade.
Por isso, costuma ser necessária uma biópsia para esclarecer o diagnóstico.
A categoria é dividida em três subgrupos:
BI-RADS 4A - Baixa suspeita de malignidade. Probabilidade estimada de câncer: aproximadamente 2% a 10%.
BI-RADS 4B - Suspeita intermediária. Probabilidade estimada de câncer: aproximadamente 10% a 50%.
BI-RADS 4C - Alta suspeita de malignidade, mas ainda sem características definitivas de câncer. Probabilidade estimada de câncer: aproximadamente 50% a 95%.
O que fazer diante de um BI-RADS 4 - É importante lembrar que BI-RADS 4 não significa necessariamente câncer. Muitas lesões classificadas nessa categoria acabam sendo benignas após a biópsia. No entanto, a investigação não deve ser adiada.
Conduta recomendada:
- Consulta com mastologista;
- Avaliação do histórico clínico;
- Realização de biópsia da lesão;
- Definição do tratamento ou acompanhamento conforme o resultado.
A biópsia é a única forma de determinar com segurança a natureza da alteração encontrada.
BI-RADS 5 – Alta suspeita de malignidade
A lesão apresenta características muito sugestivas de câncer. Probabilidade de malignidade: superior a 95%.
Conduta: realização de biópsia e planejamento terapêutico o mais rapidamente possível.
Apesar da elevada suspeita, o diagnóstico definitivo continua dependendo da análise do material coletado.
BI-RADS 6 – Câncer já confirmado
Categoria utilizada quando existe diagnóstico de câncer comprovado por biópsia e os exames de imagem são realizados para planejamento terapêutico ou acompanhamento.
Investigação após um BI-RADS alterado
Quando uma alteração exige investigação complementar, podemos solicitar:
- Ultrassonografia mamária;
- Mamografia complementar;
- Ressonância magnética;
- Biópsia por agulha;
- Core biopsy;
- Mamotomia;
- Exames adicionais para planejamento terapêutico.
A confirmação do diagnóstico ocorre apenas por meio da análise anatomopatológica da biópsia.
Por que o BI-RADS é tão importante?
A padronização dos laudos permite uma comunicação mais clara entre radiologistas, mastologistas e pacientes.
Além disso, ajuda a evitar procedimentos desnecessários em lesões benignas e garante investigação rápida quando existe suspeita de malignidade.
Graças ao BI-RADS, milhares de casos de câncer de mama são identificados precocemente todos os anos, aumentando significativamente as chances de tratamento e cura.
Qual a diferença entre BI-RADS e estadiamento?
Essa é uma dúvida muito comum. O BI-RADS é uma classificação de imagem que estima o grau de suspeita de uma lesão encontrada nos exames. Já o estadiamento é realizado somente após a confirmação do câncer e serve para determinar:
- O tamanho do tumor;
- O comprometimento dos linfonodos;
- A presença ou ausência de metástases;
- A extensão da doença no organismo.
Em outras palavras: BI-RADS avalia a suspeita. Estadiamento avalia a extensão de um câncer já diagnosticado.
Receber um resultado
BI-RADS 4 não significa ter câncer de mama, mas indica que a lesão precisa ser investigada por meio de biópsia para que o diagnóstico seja definido com segurança.
Receber um resultado BI-RADS 4 não significa ter câncer de mama, mas indica que a lesão precisa ser investigada por meio de biópsia para que o diagnóstico seja definido com segurança.
